Mostra itinerante de designers chega em Goiânia

11/11/2016 00:00

Com a paixão pela madeira como fio condutor, os designers Hugo França, Paulo Alves decidiram unir sua maestria no manuseio desta matéria-prima para a criação de uma série de peças únicas, que serão expostas em Goiânia, no dia 9 de novembro, na ID+D Identidade do Design, no Setor Marista. Na mesma ocasião, Maria Cândida Machado também estará presente apresentando suas criações.

As mesmas peças irão compor uma mostra itinerante que deve marcar presença em várias cidades brasileiras, como Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Ribeirão Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Trancoso (BA), Salvador (BA) e Porto Alegre (RS), além de alçar voos internacionais, chegando a Miami durante a Art Basel, em dezembro.

Hugo França e Paulo Alves desenvolveram juntos o Projeto Dois, enquanto Maria Cândida Machado faz o lançamento da coleção de objetos Wabi Sabi, desenhados para INTERNI com curadoria da revista BAMBOO.

A junção de expertises, somadas a dias de imersão e muita produção, gerou um conjunto de peças inéditas e limitadas, esculpidas em madeiras como pequi, garapeira, roxinho, ipê, bamboo, entre outras. São bancos, mesas, poltronas, chaises, estantes e esculturas que mesclam a geometria da marcenaria às formas orgânicas da madeira, com características claras dos dois artistas, que podem ser vistas ao primeiro olhar.

 

Sobre os artistas:

Paulo Alves trás de sua infância no interior e o legado de Lina Bo Bardi, os fundamentos da marcenaria artesanal e a inspiração na arte concretista se misturam na obra. O resultado é uma legítima expressão do design brasileiro. Vistos em perspectiva, os móveis desenhados por Paulo em 20 anos de trabalho desvendam uma lógica criativa em que a madeira – e suas características naturais e simbólicas – é a protagonista. Sempre com resultados surpreendentes, sua maestria no trabalho autoral com madeira remete ao legado dos mestres do móvel moderno brasileiro.

 

Hugo França em busca de uma vida mais próxima da natureza, mudou-se de Porto Alegre para Trancoso, na Bahia, no início da década de 80, onde viveu por 15 anos. Lá, percebeu o grau de desperdício na extração e uso da madeira, vivência que pautou seu trabalho. Desde o final dos anos 1980, desenvolve "esculturas mobiliárias". As peças criadas pelo designer nascem de um diálogo criativo com a matéria-prima: tudo começa e termina na árvore. Ela é a sua inspiração; suas formas, buracos, rachaduras, marcas de queimada e da ação do tempo provocam sua sensibilidade e o conduz a um desenho cuidadosamente escolhido, uma intervenção mínima que gera peças únicas.

 

Maria Cândida Machado é de Ribeirão Preto, São Paulo. Formou-se em arquitetura na Pontifícia Universidade de Campinas e se especializou em desenho industrial na Università Internazionalle dell’Arte de Florença, na Itália. Dedicou-se ao longo destes anos ao desenho de produtos (cadeiras, mesas, aparadores, luminárias, etc), com atenção aos detalhes e a procura deliberada de uma elegância atemporal. A madeira é a matéria prima mais frequente na sua produção. Em 2013, teve seu trabalho publicado no livro Móvel Brasileiro Contemporâneo, editado pela Fundação Getúlio Vargas.